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quarta-feira, 6 de março de 2013

Você é homem de verdade?


8 de março. Dia Internacional da Mulher


Convidamos a todas e todos, então, a unirem-se ao Ato do 8 de Março, que acontecerá em São Paulo, na sexta=feira, dia 8 de Março de 2013, com concentração na Praça da Sé, às 13h.

Mulheres em LUTA contra a violência machista, racista e lesbofóbica!

Porque enquanto a igualdade ainda for apenas um sonho, LUTAREMOS!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Artistas participam de campanha pelo fim da violência doméstica no Brasil

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Caso New Hit: juíza nega pedido de liberdade


A juíza titular de Ruy Barbosa, Márcia Simões, solicitou que a soldado da Polícia Militar Vanderlúcia Miranda prestasse depoimento nesta terça-feira, 19, segundo dia de julgamento dos integrantes da banda New Hit. Os músicos são acusados de estuprar duas adolescentes de 16 anos em agosto de 2012.
A PM não tinha sido arrolada como testemunha inicialmente, mas a juíza decidiu convocá-la, já que ela estava presente no momento em que as jovens chegaram na Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) para prestar queixa. A soldado disse para a imprensa, antes de seu depoimento no fórum, que uma das adolescentes - a que não era virgem e teria sido violentada pelos nove músicos da banda - chegou na unidade policial "em estado deplorável, parecendo louco quando tem um surto". De acordo com ela, a jovem desmaiou diversas vezes durante o depoimento.

Também é esperado para hoje o depoimento desta adolescente. A outra foi ouvida nesta segunda pela juíza. O teor do depoimento não foi divulgado.

Também serão ouvidas, nesta terça, testemunhas de acusação e defesa. No total, são 14 testemunhas de acusação. No primeiro dia foram ouvidas seis pessoas, incluindo um policial militar que prestou atendimento às vítimas.
Protesto - Integrantes do movimento Marcha Mundial das Mulheres mantêm, nesta terça, protestos em frente ao fórum de Ruy Barbosa (a 350 km de Salvador). No primeiro dia de julgamento, nesta segunda, 18, o grupo causou confusão e tumulto em frente do fórum.
De acordo com Anaíra Lobo, uma das integrantes da Marcha Mundial das Mulheres, o grupo está hospedado na Escola Arthur Sá, espaço cedido pela Prefeitura da cidade. Elas pretendem continuar no município até o final do julgamento. Cerca de 40 mulheres de Salvador, Feira de Santana, Itabuna, Cruz das Almas e Juazeiro participam do protesto.

O tenente-coronel da PM, Paulo Uzêda, foi até as manifestantes que estão em frente ao Fórum pedir silêncio. A juíza titular de Ruy Barbosa, Márcia Simões, alegou que o barulho fora do fórum está atrapalhando o julgamento. As mulheres garantiram que vão manter silêncio. A audiência foi iniciada por volta de 9 horas desta terça.

Entenda o caso - Os nove músicos são acusados de violentar duas fãs adolescentes dentro do ônibus da banda após show na micareta de Ruy Barbosa. De acordo com a denúncia, elas entraram no veículo para pedir autógrafo aos integrantes da New Hit.
Após denúncia, os músicos foram presos em flagrante e ficaram detidos até 3 de outubro. Em setembro, um laudo médico atestou a presença de esperma nas roupas das adolescentes, além do rompimento do hímen (virgindade) de uma das garotas.
Um soldado da Polícia Militar também é acusado de ter sido conivente com o crime.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Empresa de táxi só para mulheres prospera na capital indiana


  • matéria publicada pelo portal UOL em  14/02/201311h38. Atualizada 14/02/201312h33. Por BBC Brasil

    AFP
    Mulheres taxistas viram a procura pelo serviço aumentar em Nova Déli, na Índia
    Mulheres taxistas viram a procura pelo serviço aumentar em Nova Déli, na Índia
Uma pequena companhia de táxis da Índia está fazendo sucesso ao oferecer um serviço exclusivo para mulheres no qual todos os taxistas são do sexo feminino, em um país onde a grande maioria dos motoristas de táxi são homens.

A empresa Táxis de Mulheres para Mulheres, que conta com oito motoristas, se tornou mais popular após o estupro coletivo de uma estudante em um ônibus da cidade em dezembro passado, em um caso que causou comoção e revolta no país e no mundo.

"Quando estou na rua dirigindo nosso táxi me sinto orgulhosa, porque é um serviço para mulheres e eu sou uma mulher", diz uma motorista da companhia, Shanti Sharma, de 31 anos. "Nosso trabalho é dar apoio às mulheres de Délhi. Estamos dando segurança a elas."

"Depois desse caso (o estupro coletivo), nossa quantidade de trabalho aumentou muito. Mulheres que usavam outros serviços de táxi também estão nos procurando agora", diz.

A maior parte das mulheres em Nova Délhi diz enfrentar assédio cotidianamente, especialmente no transporte público.

Trens lotados na Índia8 fotos

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Indianos se penduram nas portas de um vagão de trem nesta sexta-feira (16) em Nova Déli. Milhares de trabalhadores migrantes do Bihar, um dos estados mais pobres do país, deixaram a capital em direção às suas cidades natais para participar do Chhath, um festival em homenagem ao deus sol Kevin Frayer/AP

Minoria entre homens

Mas a vida também não é simples para as motoristas de táxi. Algumas delas nunca haviam entrado em um carro antes de serem recrutadas, muito menos dirigido um.

Elas precisaram de muitos meses de treinamento não só de direção, mas também de primeiros socorros e defesa pessoal.

Uma das motoristas foi atacada por um motorista de táxi furioso enquanto enchia o tanque do carro. Outra foi atacada por um casal porque se recusou a dar ré em uma rua principal para dar espaço ao carro deles.

Sharma, uma mãe solteira de três filhas, trabalha como motorista desde 2011, quando o serviço começou a funcionar, e diz que o emprego mudou sua vida.

É a primeira vez em que ela ganha o suficiente para sustentar sua família - cerca de US$ 250 (aproximadamente R$ 490) por mês.

Naturalmente, ela e outras motoristas estão em minoria em relação aos homens. "Quando eu estaciono em algum lugar, sempre há homens lá e inevitavelmente cinco ou seis deles ficam juntos", conta.

"Eu sou geralmente a única mulher no estacionamento, então fico dentro do carro. Seria bom ter pelo menos outra mulher motorista para me fazer companhia."

Nas ruas, Sharma diz que os homens também tornam sua vida mais difícil.

"Assim que eles veem uma mulher eles começam a buzinar sem motivo. Tentam ultrapassar você. Estou sempre preocupada em evitar que alguém bata no meu carro."

Indianos se mobilizam contra casos de estupro no país179 fotos

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5.fev.2013 - Manifestante idoso vestido com as cores da bandeira indiana participa de um protesto contra o estupro e assassinato de uma estudante, em dezembro passado, em Nova Déli, na Índia, nesta terça-feira (5) Leia mais AFP

Desafio ao preconceito

A Sakha Consulting Wings, empresa que fornece soluções de transporte seguro para mulheres indianas e que foi responsável pela criação da Táxis de Mulheres para Mulheres, tinha uma série de objetivos quando estabeleceu o serviço.

Com sua parceira, a Fundação Azad, a empresa queria dar a mulheres de baixa renda uma oportunidade de "ganhar o mesmo que os homens", segundo Nayantara Janardhan, diretora de operações da Sakha.

A primeira iniciativa da Sakha foi um serviço de motoristas particulares, que hoje emprega 50 mulheres.

"Há muito preconceito de gênero que diz que mulheres são más motoristas", diz Janardhan.

"Muitas mulheres que dependem de motoristas homens para levarem seus filhos para a casa, a escola e outras atividades admitem que se preocupam com a segurança de seus filhos, mas, para começar, nem queriam usar os serviços de mulheres motoristas", diz

Os primeiros clientes do serviço eram amigos e família. Eles gostaram, e a notícia se espalhou.

"Assim que conseguimos sete motoristas, ficamos mais visíveis", relembra a empresária. Isso deu à empresa a coragem para começar um serviço de táxis, que começou com um carro e duas motoristas.

"Todo mundo pensou que ter um serviço de táxi feminino em Délhi não ia funcionar, mas nós pensamos: 'vamos começar e ver o que acontece'."

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Rickshaw, um tipo de táxi mais barato e bastante popular, circula por rua de Nova Déli Laura Ming/UOL

Alta procura

Nos últimos dois meses, desde a morte da estudante, Janardhan tem recebido telefonemas e e-mails de pessoas em todo o mundo se oferecendo para ajudar a Sakha a crescer. O número de clientes também aumentou cerca de 40%.

A maioria dos clientes são mulheres independentes e relativamente ricas que precisam viajar sozinhas com frequência.

Uma das primeiras clientes do serviço foi Praneeta Sukanya, de 40 anos, que trabalha para uma organização beneficente internacional e costuma recomendar os táxis para as colegas que visitam a cidade.

"Muitas mulheres que vêm à Índia pela primeira vez ouviram estas histórias de horror e não sabem de nada sobre a cidade", diz ela. "A Sakha as ajuda a sair e ver Délhi com segurança."

Mas Sukanya também diz gostar do modo como as mulheres taxistas - como suas colegas em Mumbai e Calcutá - estão destruindo estereótipos sobre gênero na sociedade indiana.

"As coisas acontecem nas pequenas mudanças. Elas estão bombardeando um grande mito sobre o que as mulheres podem e não podem fazer."

domingo, 20 de janeiro de 2013

Desodorante é costume entre mulheres sem "gene do fedor"


iStockphoto/Getty Images
Mais de 75% das mulheres sem "gene do fedor" usam desodorante por pressão social, diz estudo britânico
Mais de 75% das mulheres sem "gene do fedor" usam desodorante por pressão social, diz estudo britânico
Matéria publicada pelo portal UOL, em São Paulo em 20/01/2013 às 06h00.20/01/201306h00
Passar desodorante depois do banho é algo tão essencial para a saúde humana quanto escovar os dentes e lavar as mãos. Mas para algumas pessoas, isso é um ritual completamente desnecessário, mas mantido por pressão social.
Um estudo de epidemiologia genética descobriu, por acaso, que mais de 75% das mulheres que não produzem odor característico nas axilas continuam a usar o produto diariamente. A pesquisa iria investigar, a princípio, as exposições químicas de milhares de britânicas e seus filhos.
Mas quando Ian Davis, professor da Universidade de Bristol, recolheu amostras de sangue e informações dos hábitos de higiene do grupo, ele se deparou com a possibilidade de entender como os genes estão relacionados ao uso desses produtos e descobriu o resultado acima.
É que esse mesmo grupo de mães já havia participado de uma análise genética na Universidade, que revelou que 2% delas (117) carregavam uma mutação muito particular em um gene. Denominado ABCC11, ele não deixa que a pessoa produza cheiro ruim debaixo dos braços.
As glândulas sudoríparas produzem suor que, combinado com as bactérias do nosso corpo, causam o odor forte. O processo só não ocorre, lembra o estudo, quando o ABCC11 não "funciona", como visto nesse grupo de 117 mães.
"Elas estão gastando seu dinheiro, expondo sua pele ao que, em alguns casos, não parece ser bom para o seu tipo [de pele]. Isso sugere que há um monte de conformistas por aí", alfineta Davis.
O epidemiologista explica que a maioria das asiáticas e nenhuma das coreanas sequer têm o ABCC11 no seu DNA, o que pressupõe que "ser fedido" sempre foi considerado ruim para a evolução da espécie humana.
Por isso, afirma Davis, 78% das mulheres mantêm a rotina de lambuzar suas axilas com cremes, apesar de terem essa "vantagem" de não cheirar mal, por causa da forte pressão social - que existe até mesmo nos mais banais ritos de higiene. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Iraniana deformada ganha na Justiça direito de cegar agressor


Matéria publicada pelo portal UOL em 21/11/12 às 06h04. Por Folha de S.Paulo - Mundo. Samy Adghirni de Teerã

A iraniana Ameneh Bahrami, 34, ficou desfigurada depois que um colega de faculdade com quem ela não queria se casar atirou ácido em seu rosto. Em 2011, ela obteve o direito de aplicar a Lei de Talião, mas, na última hora, perdoou o agressor. Residente na Espanha, Ameneh voltou ao Irã para lançar sua biografia "Auge um Auge" ("olho por olho", em alemão), sem previsão de lançamento no Brasil.

Leia o depoimento de Bahrami à Folha:

"Nasci de um pai militar e de uma mãe professora de escola primária e tive uma infância feliz crescendo ao lado de minhas duas irmãs e dois irmãos em Teerã.

Terminado o segundo grau, me inscrevi na faculdade de Engenharia Eletrônica na Universidade Eslamshahr.

Em 2003, uma senhora me telefonou dizendo que tinha um filho que estudava comigo e queria me pedir em casamento. Ela me disse seu nome, Majid Movahedi, e então fui conferir quem era.

Kaveh Kazemi/Folhapress/Arquivo Pessoal
Imagens mostram Ameneh Bahrami antes do ataque, em 2004, (acima) e agora, em visita a Teerã, depois do tratamento (à esq.) ao qual foi submetida em Barcelona, na Espanha, com a ajuda financeira do governo iraniano
Imagens mostram Ameneh Bahrami antes do ataque, em 2004, (à dir.) e agora, em visita a Teerã, depois do tratamento (à esq.) ao qual foi submetida em Barcelona, na Espanha, com a ajuda financeira do governo iraniano

Eu o conhecia de rosto, mas não sabia seu nome. Quando a mãe me ligou de novo, contei que não estava interessada. Não ia com a cara dele e, além disso, ele um dia havia mexido comigo durante uma oficina de laboratório, tocando minhas coxas.

Mas ela continuou ligando, dizendo que seu filho era homem e, por isso, tinha direito de escolher quem bem entendesse para ser sua mulher. Após meses recebendo ligações, exigi que ela parasse de telefonar. Ela respondeu que seu filho iria se matar se não se casasse comigo.

Meses depois, me formei e consegui um emprego numa empresa de equipamentos médicos.
Eu só soube muito tempo depois que Majid naquela época vivia me seguindo e levantando todo tipo de informação a meu respeito, desde horários até nomes de colegas.

Certa vez ele me ligou dizendo que estava disposto a me matar se eu não me casasse com ele. Não levei a sério e continuei vivendo normalmente, até que um dia, em outubro de 2004, eu o vi me esperando na frente da empresa.

Repeti que não o queria e contei que tinha um marido. Majid respondeu: É mentira, pois sei tudo a seu respeito. Case comigo ou vou arruinar sua vida.

Dois dias depois, saí do trabalho por volta das 16h30 e caminhava pela rua quando senti alguém apressado atrás de mim. Deixei a pessoa me ultrapassar e vi que era Majid, com um frasco na mão.

Ele atirou um líquido no meu rosto, pensei que fosse água quente. Ele riu e saiu correndo, e minha vista escureceu.

A última coisa que meus olhos enxergaram foi o tênis de Majid. Logo senti uma queimação atroz e entendi que o líquido que escorria pelo meu rosto não era água quente, mas ácido sulfúrico.

Comecei a gritar no meio da rua e arranquei desesperadamente minha roupa e até meus calçados, que não paravam de queimar.

Doía muito e eu não enxergava nada. Trouxeram água e eu molhei minhas mãos e braços, mas o efeito foi pior, pois minha pele começou a ferver. Um homem me disse: Não leve a água à cabeça, senão seu rosto vai se desmanchar.

Fui levada de hospital em hospital até ser atendida.

Nem na clínica de queimados sabiam o que fazer comigo. Diziam nunca ter visto um caso assim. Cinco horas depois, um médico anunciou que meu olho esquerdo estava perdido e que meu olho direito tinha chance de ser salvo.

Com ajuda financeira do então presidente Mohammad Khatami, fui fazer tratamento em Barcelona, onde uma operação bem-sucedida me permitiu recuperar 40% da visão do olho direito.

SEM DINHEIRO NEM TETO
Mas Mahmoud Ahmadinejad, eleito em 2005, cortou a ajuda, e mergulhei numa situação muito difícil na Espanha, sem dinheiro nem teto.

Em 2007, peguei uma infecção num abrigo social e perdi de vez o olho direito. Foi aí que decidi voltar ao Irã para pedir a Lei de Talião [olho por olho, dente por dente, criada na Babilônia antiga].

A Justiça argumentou que a lei nunca era aplicada, mas, no ano passado, ganhei a causa. Majid já estava no hospital judiciário para ser cegado quando anunciei que o perdoava. Ele se jogou no chão e beijou meus pés.

No fundo eu nunca quis aplicar a Lei de Talião. Jamais poderia fazer isso, não sou selvagem. Eu queria mesmo chamar a atenção para o caso e evitar que outras pessoas passem pelo que sofri.

Hoje o que importa é o dinheiro. Quero que ele me pague 150 mil. Mas ele foi solto pela Justiça, que não gostou de eu ter recuado da lei.

Há muita complicação, mas continuo atrás do dinheiro. Volto dentro de alguns dias para Barcelona, onde sigo tratamento e vivo com a ajuda que Ahmadinejad retomou depois que eu perdoei Majid.

Um médico na Espanha acha que pode recuperar meu olho esquerdo. Enquanto isso, quero que meu livro saia no mundo todo."

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pais que jogaram ácido na filha defendem ataque


matéria publicada no portal UOL em 05/11/12 às 11h55. Por BBC Brasil
Um casal preso no Paquistão suspeitos do assassinato da filha com ácido disse nesta segunda-feira que o ataque ocorreu porque a menina olhou para um garoto.
O pai de Anusha, de 15 anos, disse à BBC que temia que a atitude da menina pudesse desonrar a família. Muhammad Zafar também é acusado de ter espancado a filha e mantido a adolescente isolada por um dia, sem acesso a cuidados médicos.

A mãe disse que era o "destino" da garota morrer dessa maneira.

Ela teve mais de 60% do corpo queimado pelo ácido.

Os dois foram detidos na semana passada em uma vila remota do distrito de Kotli, na Caxemira paquistanesa (a região é disputada com a Índia e cada país administra uma parte do território).

A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão identificou 943 casos de mortes de mulheres por questão de desonra no ano passado. O número representa um aumento de cem ocorrências em relação a 2010.

A polícia diz que o incidente começou a ser investigado após uma queixa da irmã mais velha de Anusha.

De acordo com a versão do pai, "um garoto chegou de moto. Ela (Anusha) virou-se para olhar para ele duas vezes. Eu disse a ela para que não fizesse isso, porque era errado. As pessoas falam de nós porque nossa filha mais velha era assim também".

A mãe, Zaheen, relata as últimas frases da filha. "Ela disse que não tinha feito de propósito, e que não olharia de novo. Mas aí eu já tinha jogado o ácido. Era o destino dela morrer dessa maneira".

Segundo a polícia, este é um dos primeiros ataques do tipo na Caxemira paquistanesa, região onde a prática é relativamente rara.

domingo, 4 de novembro de 2012

Enquanto uma brasileira é destaque no mundo leiloando sua virgindade...


matéria publicada pela Folha de S.Paulo, Cotidiano em 04/11/2012 - 06h20

Virgindade de meninas índias vale R$ 20 no Amazonas


KÁTIA BRASIL

ENVIADA ESPECIAL A SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA (AM)


No município amazonense de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia, um homem branco compra a virgindade de uma menina indígena com aparelho de celular, R$ 20, peça de roupa de marca e até com uma caixa de bombons.




A pedido das mães das vítimas, a Polícia Civil apura o caso há um ano. No entanto, como nenhum suspeito foi preso até agora, a Polícia Federal entrou na investigação no mês passado.

Doze meninas já prestaram depoimento. Elas relataram aos policiais que foram exploradas sexualmente e indicaram nove homens como os autores do crime.

Entre eles há empresários do comércio local, um ex-vereador, dois militares do Exército e um motorista.

As vítimas são garotas das etnias tariana, uanana, tucano e baré que vivem na periferia de São Gabriel da Cachoeira, que tem 90% da população (cerca de 38 mil pessoas) formada por índios.

Entre as meninas exploradas, há as que foram ameaçadas pelos suspeitos. Algumas foram obrigadas a se mudar para casas de familiares, na esperança de ficarem seguras.

Folha conversou com cinco dessas meninas e, para cada uma delas, criou iniciais fictícias para dificultar a identificação na cidade.

M., de 12 anos, conta que "vendeu" a virgindade para um ex-vereador. O acerto, afirma a menina, ocorreu por meio de uma prima dela, que também é adolescente. "Ele me levou para o quarto e tirou minha roupa. Foi a primeira vez, fiquei triste."

A menina conta que o homem é casado e tem filhos. "Ele me deu R$ 20 e disse para eu não contar a ninguém."

P., de 14 anos, afirma que esteve duas vezes com um comerciante. "Ele me obrigou. Depois me deu um celular."

Já L., de 12 anos, diz que ela e outras meninas ganharam chocolates, dinheiro e roupas de marca em troca da virgindade. "Na primeira vez fui obrigada, ele me deu R$ 30 e uma caixa com chocolates."

Exploração sexual de garotas indígenas

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Adriano Vizoni/Folhapress
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Virgindade de adolescente indígena é comprada por homens brancos por aparelho de celular e até caixas de bombons
DEZ ANOS
Outra garota, X., de 15 anos, disse que presenciou encontros de sete homens com meninas de até dez anos.

"Eu vi meninas passando aquela situação, ficando com as coxas doloridas. Eles sempre dão dinheiro em troca disso [da virgindade]."

P. aceitou depor na PF porque recebeu ameaças de um dos suspeitos. "Ele falou que, se continuasse denunciando, eu iria junto com ele para a cadeia. Estou com medo, ele fez isso com muitas meninas menores", afirma.

Familiares e conselheiros tutelares que defendem as adolescentes também são ameaçados. "Eles avisaram: se abrirem a boca a gente vai mandar matar", diz a mãe de uma menina de 12 anos.

sábado, 3 de novembro de 2012

Cairo 678. Inteligente, corajoso e verdadeiro. Que mulher gosta de ser molestada?

Fayza, Seba e Nelly. 

Três mulheres egípcias com vidas completamente diferentes se unem para combater o machismo que impero no Egito contemporâneo e que está em todos os lugares: nas ruas da cidade do Cairo, no trabalho e dentro de suas próprias casas. 

Determinadas, iniciam uma série de ataques contra homens que ousam molestá-las. Quem são essas misteriosas mulheres que tem a coragem de enfrentar uma sociedade baseada na superioridade masculina?



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Mulher que deu nome à Lei Maria da Penha diz que Carminha não sofreu violência doméstica


matéria publicada pelo portal Bahia Notícias em 12/10/12 às 9h26. Por Fernanda Figueiredo

A trama da novela "Avenida Brasil", da TV Globo, deu o que falar também no campo jurídico. As opiniões divergem muito quando o assunto é o capítulo da última segunda-feira (8), quando a vilã Carminha (Adriana Esteves) teve todas as suas armações descobertas, foi escorraçada da mansão onde vivia e ainda levou uma bofetada do marido traído, Tufão (Murilo Benício). Enquanto a maioria dos telespectadores - que fizeram o episódio bater recorde no Ibope, com 49 pontos - se regozijava com o castigo dado a Carminha, especialistas no assunto criticaram a atitude.

Em entrevista ao Bahia Notícias, a advogada mineira Rose Oliveira, disse que, neste caso, a arte não imitou a vida. Apesar de ter sido traído e de todos os crimes que a personagem possa ter cometido durante o matrimônio, a vilã teria direito a boa parte dos bens do ex-jogador. E mais: segundo Rose, a Lei Maria da Penha pode ser aplicada contra a família de Tufão por proteger a mulher da violência no âmbito familiar.

"Muitos telespectadores sentiram-se vingados [...]. Mas o que passa pela cabeça do sujeito em casa, que cresceu em uma sociedade machista como a nossa, quando vê um dos heróis da trama empregando violência doméstica?". O questionamento é do jornalista e professor Leonardo Sakamoto, em seu blog no UOL. "Que tal processar Tufão pela Lei Maria da Penha?", indagava o título do post de Sakamoto.

E, com tanta gente citando a Lei Maria da Penha, a Folha de S. Paulo foi atrás da própria para ouvir a sua opinião a respeito do assunto. Maria da Penha Maia Fernandes, 67, farmacêutica que dá nome à Lei 11.340, sancionada pelo ex-presidente Lula em 2006, discorda da advogada e do jornalista sobre a aplicação da lei no caso da vilã global.

"Essa mulher, Carminha, não tinha a liberdade cerceada nem corria risco de morrer. Não era humilhada nem impedida de sair de casa, coisas que poderiam caracterizar uma violência motivada pelo gênero, doméstica". Maria da Penha, no entanto, diz que o fato de uma mulher trair o marido não justifica a agressão. Mas enxerga, no caso de Carminha, "uma violência causada por valores morais, que motivou outras mulheres da novela a aprovarem o resultado".

Para a delegada Isilda Cristina Vidoeira, da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, na zona sul de São Paulo, Carminha poderia, sim, denunciar Tufão. "Eu não julgo a sua conduta. Mas ela é mulher dele e foi agredida", diz. "Se você perguntar se gostei de ver Carminha apanhar, digo que sim. Mas está certo? Não, não está", completa.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mulheres relatam abusos cometidos por médico


matéria publicada pelo portal UOL em 09/10/12 às 04h08. Por Cláudia Colucci em São Paulo

M., 24, tem pesadelos recorrentes com exame de toque vaginal. Há dois meses, toma antidepressivos e frequenta psicólogo. E se esforça para esquecer da primeira consulta ginecológica.

M. e a mãe L., 49, foram as primeiras de um grupo de 11 mulheres que relataram à polícia terem sido vítimas do médico Rogério Pedreiro, 48, preso em 31 de agosto. O caso corre sob sigilo. A Folha falou com cinco delas.


Em depoimento, o médico, que atuava como ginecologista e ultrassonografista, negou as acusações. Disse que foram exames e consultas normais. Ele segue preso.

A arrumadeira Almira da Rocha Oliveira, 43, reconheceu Pedreiro ao vê-lo em uma reportagem na TV e foi à delegacia denunciá-lo. "Enfim, confirmei minhas cismas."
Ela --a única que autorizou a divulgação do nome e imagem-- diz que frequentava a clínica do médico, em Moema (zona sul), desde 2009.

Almira fez, com ele, cinco exames de ultrassom transvaginal para monitorar miomas. "Em todas as vezes, ele perguntou se eu sentia prazer quando colocava o aparelho. Era esquisito, mas eu pensava: 'Alzira, abre a cabeça. É pergunta de médico'."

Ela diz ter estranhado o fato de o médico não usar luvas e nem fornecer avental às pacientes durante o exame.

O relato da vendedora V., 35, é semelhante. Ela diz que, em 2004, procurou o médico porque queria engravidar.

"Durante o exame de toque vaginal, ele perguntou se eu sentia prazer quando ele me tocava. Respondi que não."

V. conta que, no início, pensou ser uma pergunta "normal". Mas, ao voltar 15 dias depois para fazer um ultrassom, a situação se repetiu.

"Ele colocou o aparelho na vagina, ficou mexendo com a mão e perguntando se eu sentia prazer. Respondi brava: 'Não estou sentindo nada'. Ele parou na hora."
Depois disso, só vai à "ginecologista mulher".

Em 2006, a atendente J., 29, procurou o médico para fazer um ultrassom transvaginal. "No exame, ele perguntou se eu sentia prazer fácil. Fiquei sem graça e disse que, se fosse com o meu marido, eu sentia. Ele colocou o aparelho e perguntou: 'E assim?' Eu disse: 'Tá machucando'. Aí ele parou. Não voltei mais."

EXAME DEMORADO
M. e a mãe se consultaram com Pedreiro no mesmo dia, 18 de junho. A primeira a entrar na sala foi a mãe. "No exame de toque vaginal, ele ficou, ficou [com o dedo na vagina]. Nunca fiz um exame tão demorado", diz L.

Já M. relata que, ao entrar na sala do médico, levou uma bronca pela demora em procurar um ginecologista.

"Primeiro, ele colocou o dedo na vagina e ia apalpando aqui embaixo [região pélvica]. Depois, pegou no meu braço e disse: 'Você tem bastante hormônio. Não sente vontade de se masturbar?'". M. saiu da sala e não falou nada para a mãe. "Fiquei com vergonha."

Dias depois, comentou com uma amiga. "Ela disse que ginecologista não fala essas coisas." Foi aí que M. contou para os pais. "Ela sentia desespero, culpa, raiva. Ficou agressiva", lembra a mãe.

O pai relata que quase "perdeu a cabeça". "Pensei em invadir o consultório e quebrar a cara dele." A mãe diz que a família não quer indenização. "Só que ele pague pelo o que fez", afirma.